Durante décadas, o sonho da casa própria foi relativamente simples de definir.
Uma boa localização, mais um quarto para os filhos, uma garagem e, se possível, uma varanda.
Mas o conceito de casa está a mudar.
E talvez mais depressa do que imaginamos.
Uma recente reportagem analisou a forma como a Geração Z — jovens nascidos entre 1997 e 2012 — procura, escolhe e decide comprar ou arrendar um imóvel. As conclusões são claras: esta geração tem prioridades diferentes das gerações anteriores. (Portas)
A questão interessante não é perceber como os jovens procuram casa.
É perceber o que realmente procuram quando procuram uma casa.
Já não compram apenas uma casa
A casa continua a ser importante.
Mas deixou de ser o centro da decisão.
Para muitos jovens adultos, a habitação é apenas uma peça de um projeto de vida mais amplo.
O que procuram é mobilidade.
Flexibilidade.
Conveniência.
Qualidade de vida.
Poder trabalhar remotamente.
Estar perto de transportes.
Ter serviços acessíveis a pé.
Dispor de espaços para praticar exercício físico.
Ter uma boa ligação à internet.
Poder levar o animal de estimação.
Ter tempo para viver.
Por isso, a pergunta deixou de ser:
“Quantos metros quadrados tem a casa?”
E passou a ser:
“Como será a minha vida se morar aqui?”

O imóvel ideal mudou
Em Lisboa, esta realidade é cada vez mais visível.
Muitos jovens preferem um T1 ou T2 bem localizado, próximo do metro e dos principais eixos de mobilidade, do que um imóvel maior numa zona periférica.
A proximidade a cafés, supermercados, ginásios, zonas verdes e espaços de coworking passou a fazer parte da equação.
O conceito de “bairro” voltou a ganhar importância.
Curiosamente, esta geração valoriza também algo que durante muitos anos foi secundário: a experiência diária.
A facilidade de deslocação.
O tempo que ganha.
A energia que poupa.
O equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
Na prática, compra-se cada vez mais um estilo de vida e cada vez menos apenas um imóvel.
A procura começa muito antes da visita
Outra diferença importante é a forma como estes compradores chegam ao mercado.
A pesquisa começa online.
Vídeos.
Redes sociais.
Google.
Mapas.
Portais imobiliários.
Avaliações.
Comparações.
Quando finalmente entram em contacto com um profissional, já fizeram grande parte do trabalho de pesquisa. (Portas)
Isto não significa que precisem menos de ajuda.
Significa exatamente o contrário.
Precisam de alguém que os ajude a interpretar a enorme quantidade de informação disponível.
O papel do consultor imobiliário também evoluiu
Durante muito tempo, o consultor era visto como alguém que mostrava imóveis.
Hoje, o verdadeiro valor está na capacidade de compreender pessoas.
Perceber objetivos.
Antecipar necessidades.
Identificar oportunidades.
Ajudar a evitar erros.
Explicar financiamento.
Analisar localizações.
Projetar cenários futuros.
Acompanhar decisões importantes.
Porque escolher uma casa continua a ser uma das decisões financeiras mais relevantes da vida.
E nenhuma pesquisa online substitui a experiência, o conhecimento do mercado e a segurança de um acompanhamento profissional.
O futuro da habitação será mais humano
A tecnologia continuará a evoluir.
A inteligência artificial continuará a transformar processos.
As plataformas digitais continuarão a ganhar importância.
Mas existe algo que permanece constante.
As pessoas não procuram apenas quatro paredes.
Procuram segurança.
Conforto.
Estabilidade.
Bem-estar.
Um lugar onde possam construir a sua vida.
Talvez seja por isso que o mercado imobiliário esteja a mudar.
Porque a definição de casa também mudou.
E compreender essa mudança é hoje uma das formas mais eficazes de ajudar quem procura comprar ou arrendar um imóvel.
E para si, o que pesa mais na escolha de uma casa?
📍 A localização?
📍 O preço?
📍 O espaço?
📍 Ou a qualidade de vida que ela proporciona?
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Clarisse Macedo 4U
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